E T É R E O
Edson Andrade
Por que buscar sempre a etérea chama
Fugaz, efêmera e inconsistente
Do amor que em mim tão descontente
Ama e morre e diz que ama?
Por que perder-me no passado
Quando em mim desfaz-se, insano, o presente
Sopro de vida, alma penitente
Errando no tempo, ausente no outro lado?
Meu futuro aqui se espelha
E a imagem (tão confusa deste espaço)
Não é o vão espectro do cansaço
Mas a fumaça de um fogo sem centelha.
O verso não me afasta de mim.
A Poesia, lenitivo, não me cura as mágoas.
Por que então perder-me nessas águas,
Cujo curso só me arrasta e não tem fim?
O pensamento foge novamente
Para arrebentar-se como vaga na saudade
E essa ternura (imensa) que me invade
É meu instante a embalar-me docemente.
A poesia é, verdadeiramente, lenitivo para as dores existenciais e circunstanciais da alma. Ser poeta é uma forma de vida. É beber do manancial da sensibilidade para transformar sentimentos e impressões em palavras. Não fosse a poesia, faltar-me-ia a essência do viver sensivelmente.
ResponderExcluirUm novo livro de poemas e a esperança de ser lido com... suspiros.
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