quinta-feira, 29 de julho de 2010

ETÉREO

E T É R E O
Edson Andrade

Por que buscar sempre a etérea chama
Fugaz, efêmera e inconsistente
Do amor que em mim tão descontente
Ama e morre e diz que ama?

Por que perder-me no passado
Quando em mim desfaz-se, insano, o presente
Sopro de vida, alma penitente
Errando no tempo, ausente no outro lado?

Meu futuro aqui se espelha
E a imagem (tão confusa deste espaço)
Não é o vão espectro do cansaço
Mas a fumaça de um fogo sem centelha.

O verso não me afasta de mim.
A Poesia, lenitivo, não me cura as mágoas.
Por que então perder-me nessas águas,
Cujo curso só me arrasta e não tem fim?

O pensamento foge novamente
Para arrebentar-se como vaga na saudade
E essa ternura (imensa) que me invade
É meu instante a embalar-me docemente.

2 comentários:

  1. A poesia é, verdadeiramente, lenitivo para as dores existenciais e circunstanciais da alma. Ser poeta é uma forma de vida. É beber do manancial da sensibilidade para transformar sentimentos e impressões em palavras. Não fosse a poesia, faltar-me-ia a essência do viver sensivelmente.

    ResponderExcluir
  2. Um novo livro de poemas e a esperança de ser lido com... suspiros.

    ResponderExcluir