quarta-feira, 27 de julho de 2016



FUTEBOL

Foge-me cruel realidade para ganhar

Uma partida lúdica, com empenho

Tecer redes e em quadriverde armar

Elásticos esquemas, táticas de engenho.

Bolas velozes vencem meus anseios

Ostentam em vórtices loucos e voleios

Linhas, ligas e artistas, como loucos

Inventivam emoções e logo, aos poucos,

Sambam giros, dribles em elementos.

Trovejam golpes, força de um povo

Indo e vindo, guerra em pleno jogo

Camisas envergadas, arder em escol

Amor à vida de um time é futebol.

Mágicos passes concertam sinfonias

Engenhos de ardis, metas de vitória

Nortes de um campo, estádio e glória

Traves e regras marcam nessa dor

Ecos ufanistas, sonho vencedor.

DADOS BIOGRÁFICOS



DADOS BIOGRÁFICOS

Edson Ferreira Andrade nasceu sob o signo de Sagitário, no dia

23 de novembro. Aos seis anos de idade perdeu o pai em acidente ferroviário –

era um dos maquinistas da Maria Fumaça – em um descarrilamento na região

de Engenheiro Dolabella, norte de Minas Gerais. Aos sete, entrou para o Grupo

Escolar Clóvis Salgado sob o magistério da Professora Helena Parrela, de

quem ganhou o primeiro par de sapatos. Depois, sob orientação permanente

da Professora Vanda Inês Mota Santiago e da diretora Rita Mota, tomou

contato com hinos e poemas, sobretudo de poetas inconfidentes, românticos

de todas as fases e parnasianos.

Aos nove anos de idade, Edson Andrade ganhou seu primeiro

prêmio literário ao vencer concurso municipal de redação. O prêmio era um

cheque de valor expressivo, com o qual ajudaria a mãe, Dona Nenzinha, a

alimentar sua família numerosa e carente. O Prefeito à época, Antônio Lafetá

Rebello, contudo, não assinou o cheque. Os motivos morreram em explicações

vazias, mas a frustração do menino escritor continuou viva perdura há

numerosas décadas.

Após o prêmio não recebido, começou a escrever para jornais,

tendo como sua grande incentivadora a escritora e jornalista Raquel

Mendonça, por quem devota imensa gratidão. Das crônicas para o primeiro

livro: Lidoro e o Papiá, uma narrativa sobre a vida do índio Lidoro e suas

estórias surrealistas que tinham como personagem principal o Papiá.

Casou-se prematuramente, aos vinte e um anos de idade e

se formou em Letras pela Fundação Universidade do Norte de Minas – FUNM,

em 1978. Antes de sua formatura, foi suspenso pelo Conselho Superior da

universidade em represália pelo texto de sua autoria, publicado em jornal da

cidade, o qual causou imensa movimentação estudantil a seu favor, com

greves e intervenção do Exército Brasileiro.

Ainda no ardor do movimento grevista, ajudado pelos colegas

do curso de Letras, viajou em lua de mel para a bela cidade de Araxá, de onde,

muitos dias depois, viu sua sentença ser revogada pela então diretora da

Faculdade de Letras, Professora Yvonne de Oliveira Silveira. Ainda no prolífico

ano de 1975, passou em primeiro lugar em concurso do Centro Regional de

Saúde de Montes Claros, órgão do governo do Estado, onde exerceu a chefia

de vários setores para, anos depois, ser nomeado Diretor Adjunto e Diretor

Interino. Ainda é servidor público, naquele órgão, após quarenta e um anos de

serviços prestados à Saúde Pública Brasileira. Foi um dos fundadores do SUS

no Brasil, a partir do Projeto de Saúde do Norte de Minas, iniciado no longínquo

ano de 1975.

Após formado, recebeu convites para lecionar francês na

Escola Estadual Professor Plínio Ribeiro e disciplinas como Língua Portuguesa,

Literatura Brasileira e Redação em vários colégios particulares da cidade.

O primeiro livro de poemas chegou com o título “Versosvida”,

aclamado pela crítica. A primeira edição foi ilustrada pelo artista plástico,

jornalista e escritor Humberto Madureira, ex-aluno do professor de Língua

Portuguesa, Literatura Brasileira e Francês Edson Andrade.

Do primeiro casamento, terminado em divórcio quatro anos

depois, tem as filhas Sunny Magalhães Andrade (Enfermeira, casada, mãe de

Miguel e Eloah) e Sandy Magalhães Andrade Landin, Assistente Social, casada

e mãe de Jasmin.

Na sequência de sua produção literária continuou a publicar em

revistas e jornais do estado. Como professor do Colégio São Norberto e do

Colégio Opção, orientou e participou na criação de jornais escolares e livros de

seus alunos. No Colégio Padrão, onde lecionou Língua Portuguesa, Literatura

Brasileira, Redação e Jornalismo, foi o criador do Coral e diretor do Jornal

Bacupari, bem como autor da letra do Hino ao Padrão, melodia da maestrina

Clarice Sarmento.

Publicou o livro O Momento e Eu – crônicas, de grande aceitação

da crítica e de seus leitores. Em 1983 viajou à Europa onde, em Paris e

Sèvres, fez curso para aperfeiçoamento de professores de francês, nO Centre

International D’Études Pédagogiques. Em Paris, concluiu seu livro de crônicas

e contos "Extremos do Sorriso".

Em 1984, Edson Andrade foi para a capital pernambucana. Em

Recife – a “Veneza Brasileira”, concluiu o curso de Bio-Estatística pelo Instituto

Nacional de Administração para o Desenvolvimento – INAD, da Universidade

Federal de Pernambuco. Ainda em 1984, tomou posse como Membro efetivo

da Academia Montes-Clarense de Letras, na Cadeira de número 43, tendo

como patrono o Intendente Câmara, personagem cujo brilhantismo cultural e

intelectual é comparado a José Bonifácio de Andrada e Silva.

Em 1984 ganhou o filho Dhiogo Revert Oliveira Andrade, na

atualidade brilhante jornalista e radialista, além de músico muito festejado.

Em segundas núpcias, tem os filhos Andy Kaline Oliveira Andrade

– médica – e Kenny Sun Oliveira Andrade – formado em Direito, brilhante

instrumentista e compositor musical.

O ano de 1993 marcou a estreia do radialista Edson Andrade na

Rádio Terra – AM, de Montes Claros, onde trabalhou durante mais de uma

década como criador, produtor, diretor e apresentador do programa A Voz da

Terra, nome sugerido pelo brilhante radialista Gélson Dias.

Nos anos seguintes, Edson Andrade foi autor em diversas

antologias da Academia Montes-Clarense de Letras e de outras publicações no

norte de Minas. Foi eleito, por diversas vezes, patrono de bibliotecas de várias

escolas públicas da cidade.

Em 1989 escreveu e publicou o romance Kaline, de grande

aceitação de público e crítica, mas recusado pela Comissão de Vestibulares da

Universidade Estadual de Montes Claros, devido – conforme asseveraram –

seu conteúdo erótico, momento em que a Televisão Globo já levava ao ar, nas

tardes e noites da modorrenta vida brasileira, novelas com cenas explícitas de

erotismo e sexo. O livro ganhou projeção nacional e foi divulgado em alguns

países da Europa e América Latina.

Em 2004, concluiu o curso de Direito pela Universidade Estadual

de Montes Claros – Unimontes, passando a exercer a profissão de Advogado,

acumulando tal nobre ofício com seu trabalho como radialista nas Rádios

Expressão FM – como diretor de apresentador, além de seguir como servidor

público do Estado de Minas Gerais, onde exerceu as funções de Assessor

Jurídico da Superintendência Regional de Saúde.

Edson Andrade continuou a escrever para os jornais do estado,

destacando-se, em Montes Claros, os jornais de Notícia, Gazeta Norte Mineira

e O Norte de Minas. Em maio de 2014 lançou o romance “Mãos ao Sol” – com

temática polêmica sobre a vida de Jesus Cristo, cujo sucesso levou centenas

de pessoas a ler, comentar em jornais e redes sociais, de cujas críticas obteve

grande aceitação e elogios, destacando-se as críticas publicadas dos escritores

e acadêmicos Yvonne Silveira, Maria Luiza Silveira Teles e Dário Cotrim. O

livro Mãos ao Sol encontra-se sob apreciação da Comissão de Vestibulares da

Universidade Estadual de Montes Claros para o Vestibular de 2017. Foi,

também, indicado pela Editora Saramandaia para edição, em inglês, na cidade

de Londres, na Inglaterra.

Participou da Antologia da Academia Montes-clarense de Letras

denominada “A Musa das Letras”, em homenagem à escritora e Presidente

Yvonne de Oliveira Silveira, com diversos textos de sua autoria, como coautor.

Além do livro de poemas “SINESTESIA Versus Vida” que o autor ora leva a

público, está concluindo o romance “Vozes na Escuridão”, para lançamento em

breve.

SONETO À LUA



SONETO À LUA

E ao revelar-te fria, halo e nua

A desvendar-me bardo em teu clarão

Eu te afago em verso e violão

E no meu canto te proclamo Lua.

Adoro sequestrar-te ao firmamento

Noites frias de seresta a cismar

Sonho e coração, voz a lamentar

Raios de magia, luz deste tormento.

Astro que te quero noite e dia,

Banha este sofrer de poesia

Arrebata meu amor, minha emoção!

Ilumina, Lua, norte em teu vagar

Liberta deste amor o caminhar

Barco iluminado, prece e solidão.

TRAVESSIA



TRAVESSIA

Para Dona Nenzinha, minha mãe.

Quando cerraste a luz bondosa

Do olhar que se perdeu em véu

Legaste ao mundo em verso e prosa

Dor em profusão sob meu céu.

O espasmo que calou-te a voz

Silenciou meu canto e o violão

E deu-te asas na constelação

Para deixar-me solidão atroz.

Quero trazer-te da iluminada travessia

E enxugar as vagas deste meu olhar

Para remar sombras de uma noite em dia

Sina de barco insone a vagar.





SONETO DO ADEUS

E então disseste que o adeus frio

- Tua glória face ao meu sofrer -

Nada triste em teu querer vazio

Descaminho já deste meu viver.

Só então meu mundo se desvencilhou

Verso desejado – noite a vagar

Em lágrimas teu mundo desabou

Ambição de amor sem vago amar.

Tu me pretendias mercê do engano

Escravo forro da atroz quimera

Dizer sim ao urdir do teu plano.

Mas, forte, firme e intimorato

Escrevi no lenço que me dera:

- Adeus, Marília: em vão te amo!

SONETO DO ADEUS





SONETO DO ADEUS

E então disseste que o adeus frio

- Tua glória face ao meu sofrer -

Nada triste em teu querer vazio

Descaminho já deste meu viver.

Só então meu mundo se desvencilhou

Verso desejado – noite a vagar

Em lágrimas teu mundo desabou

Ambição de amor sem vago amar.

Tu me pretendias mercê do engano

Escravo forro da atroz quimera

Dizer sim ao urdir do teu plano.

Mas, forte, firme e intimorato

Escrevi no lenço que me dera:

- Adeus, Marília: em vão te amo!

CÉU DE AGOSTO




CÉU DE AGOSTO

Flana ave no espaço plúmbeo de agosto

Cinérea ilusão do pássaro

É visão fugaz de vida ardente

Presa por um fio

De “penas” diáfanas

E soltas contra a brisa.

Liberdade é isso: vaga lembrança

Do pássaro que pousou,

Passado tão remoto

Quanto nuvens brancas

Neste céu de agosto,

Nesta ilusão

Ardente e multicor de eternidade.

ABSTRATO



ABSTRATO

Buscar-se é substrato

De improfícua abstração

Se o motivo salta aos olhos

Mas foge ao coração.

A rima é abstrata

E abstração é dor

Quando o estrato do abstrato

Não pode rimar com amor.

Abstratos são os olhos

Impedidos de enxergar

E a visão do inconsciente

Abstrai-se na subtração do olhar.

Não me furto ao abstrato

Nem me abstenho de sonhar

Pois de onírico e superestrato

Faz-se o homem

Faz-se o lar, o olhar

Faz-se o mar.
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