quarta-feira, 27 de julho de 2016

TRAVESSIA



TRAVESSIA

Para Dona Nenzinha, minha mãe.

Quando cerraste a luz bondosa

Do olhar que se perdeu em véu

Legaste ao mundo em verso e prosa

Dor em profusão sob meu céu.

O espasmo que calou-te a voz

Silenciou meu canto e o violão

E deu-te asas na constelação

Para deixar-me solidão atroz.

Quero trazer-te da iluminada travessia

E enxugar as vagas deste meu olhar

Para remar sombras de uma noite em dia

Sina de barco insone a vagar.

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