TRAVESSIA
Para Dona Nenzinha, minha mãe.
Quando cerraste a luz bondosa
Do olhar que se perdeu em véu
Legaste ao mundo em verso e prosa
Dor em profusão sob meu céu.
O espasmo que calou-te a voz
Silenciou meu canto e o violão
E deu-te asas na constelação
Para deixar-me solidão atroz.
Quero trazer-te da iluminada travessia
E enxugar as vagas deste meu olhar
Para remar sombras de uma noite em dia
Sina de barco insone a vagar.
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